segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Cristianismo Puro e Simples 10 - A Conclusão Prática

Recapitulando Cristo suportou a rendição e humilhação perfeitas: perfeitas, por ser Deus, e rendição e humilhação por ser homem. O Cristianismo afirma que se participarmos de algum modo da submissão e sofrimentos de Cristo, participaremos também de sua vitória sobre a morte, e encontraremos uma nova vida após a morte que nos fará perfeitos e completamente felizes. Alguns perguntam quando será dado o próximo passo da evolução, quando haverá algo além da espécie humana. Mas já há, do ponto de vista cristão um novo tipo de ser humano surgiu com Cristo e tal tipo de vida pode nos ser dado. Mas como?

Bom primeiro quero que pense em nossa vida atual e como nos foi dada, ninguém nos perguntou se queríamos nascer, e o processo do sexo que gera a vida é um tanto quanto estranho, prazeroso e doloroso. Muitas crianças gastam um bom tempo tentando entender esse processo e algumas a quem contam, se recusam a acreditar, não as culpo, de fato é um processo que jamais imaginaríamos, se não fosse real. Deus não nos consultou quando inventou o sexo, e também não nos consultou sobre como gerar essa nova vida. Tal vida nos é dada por meio da Fé, do Batismo e da Santa Ceia. É um processo estranho também, mas se ao invés de questionarmos, crermos e experimentarmos, veremos como tal processo também é real.

Talvez você se questione sobre como eu sei que o processo é assim se não se pode entendê-lo. É simples, já lhes expliquei porque creio que Jesus era e é, o próprio Deus. E historicamente não há dúvidas de que ele ensinou a seus discípulos que esse era o processo para uma nova vida. Portanto creio neste processo com base na autoridade do nome de Jesus. Antes que estranhe, crer na autoridade do nome de alguém é simplesmente considerar e dar crédito porque considera-se que esse "alguém" seja digno de tal confiança (pais, professores, amigos, mídia, etc). Fazemos isso o tempo todo com pessoas que admiramos, não há nada de ignorante nisso.

Agora preste atenção, não digo que a Fé, o batismo e a santa ceia substituam seu dever de imitar a Cristo para manter tal vida. Você recebeu sua vida por meio de seus pais, mas não significa que ela se manterá se você não cuidar dela. Você pode acabar perdendo-a por negligência, ou extingui-la por suicídio. Você precisa alimentá-la e cuidar dela, mas lembre-se, que você não a criou, você apenas a está conservando. "Uma pessoa pode, do mesmo modo, perder a vida de Cristo que lhe foi dada, e tem de esforçar-se para preservá-la." Por outro lado pense que se há vida natural em um corpo, ela fará tudo para repará-lo, se ferido até certo ponto o corpo vivo se recupera, o que não faz um corpo morto. Um corpo vivo não é um corpo que nunca adoece, mas é um corpo que até certo ponto consegue se recuperar. Do mesmo modo, o Cristão não é alguém que nunca peca, mas alguém capaz de arrepender-se e reabilitar-se, porque a vida de Cristo está em seu interior e fará tudo para se reparar, habilitando-o a sofrer uma espécie de morte voluntária que Cristo suportou (em um certo grau), todas as vezes que houver queda e assim mantermos essa vida que nos foi dada.

Por isso a perspectiva do Cristão é tão diferente em relação a ser bom. Não cristãos se esforçam para ser boas pessoas no intuito de agradar a deus (caso acreditem em sua existência) ou ao menos às outras pessoas que consideram boas. Mas o Cristão dá todo o crédito das coisas boas que faz à vida de Cristo em seu interior, não pensam que Deus os amará mais se forem bons, mas sabem quem Deus os fará bons, porque os ama. É bom esclarecer também que quando os cristãos afirmam que Cristo está neles, não é apenas modo de dizer, ou uma noção mental, acreditamos que Cristo realmente age através dos cristãos que como um todo compõem um corpo, onde Cristo é a cabeça e toma as decisões. Isso explica porque a nova vida se propaga não somente através da Fé, mas também de atos físicos como o Batismo e a Santa Ceia, algumas pessoas acham erroneamente que Deus se aparta da matéria, mas ele ama a matéria, ele a criou, ele escolheu usar o pão e o vinho, e escolheu se fazer carne e sangue em Jesus. Não há problema algum para Deus na matéria além de sua corrupção, mas seu objetivo é restaurá-la, e não destruí-la.

Uma objeção que comummente é feita é: Não é injusto que a nova vida se restrinja àqueles que tiveram oportunidade de ouvir falar de Cristo? Mas acontece que não sabemos o que Deus pretende com as demais pessoas, o que sabemos é que ninguém pode ser salvo a não ser por Cristo, mas não sabemos se só aqueles que O conhecem é que podem ser salvos. Além disso se nos preocupamos com as pessoas não salvas, o melhor que temos a fazer é nos juntar aos salvos e resgatar os que ainda não estão. De que adianta ter piedade dos que se afogam se também estamos no mar? Precisamos primeiro nos juntar aos que estão no barco para ajudar as demais pessoas que ainda se afogam.

Outra possível objeção é: Por que Deus veio 'disfarçado' e começou essa espécie de sociedade secreta para combater o inimigo, por que não veio com todo o seu poder de uma vez? Bem os cristãos creem que Ele virá com todo o seu poder e sem disfarces, mas ninguém sabe quando acontecerá, no entanto Ele se demora porque quando isso acontecer será sem dúvida o fim do mundo, enquanto ele não vem, nos dá a oportunidade de escolhermos de que lado ficar, mas quando chegar o tempo de escolher terá passado. Devemos aproveitar essa chance. Afinal ninguém pensaria bem de um Francês ao anunciar que está do lado dos aliados apenas no momento em que estes estiverem marchando sobre território alemão. Não há escolha alguma nisso, há medo e inquisição, mas não escolha.

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Cristianismo Puro e Simples 9 - O Arrependimento Perfeito

Como disse no capítulo anterior, ou Jesus era um louco, ou um demônio mentiroso, ou era o que dizia ser. Lendo os relatos sobre sua vida não posso acreditar que com toda sua sabedoria ele fosse louco, e também não acredito que ele era um demônio principalmente pela forma como a bíblia relata seus encontros com pessoas endemoninhadas. Então por mais assustador e improvável que pareça devo aceitar que ele era o próprio Deus em forma humana. Mas o que ele veio fazer aqui? Bom, certamente veio ensinar, mas não foi a única coisa que veio fazer, o novo testamento ou qualquer outro texto cristão fala constantemente de sua morte e ressurreição. Mais ainda, os cristãos creem que esse é o principal motivo de Deus ter se feito gente em Jesus.

A crença básica do cristianismo é que a morte de Cristo de alguma forma nos reconciliou com Deus e nos abre a possibilidade de uma nova perspectiva de vida. Existem diversas teorias cristãs que explicam essa morte, mas não são a mais pura essência da crença cristã. A principal teoria afirma que Cristo morreu porque Deus queria punir os humanos por terem escolhido se separar dEle e se unir ao grupo rebelde do inimigo, mas Cristo se ofereceu para ser punido em nosso lugar, e assim nos poupou. Mas o que quero ressaltar é que o que importa é a essência, e não as teorias que a explicam. Se alguém tem fome, se alimenta e fica bem, mesmo que não tenha nenhum conhecimento teórico de como se dá o processo que absorve os nutrientes dos alimentos, e mais, se algum dia tais teorias forem abandonadas, as pessoas continuarão comendo para combater a fome. Da mesma forma é com estudos de Física. Os cientistas explicam os átomos de forma a gerar em nossa mente uma imagem capaz de compreendê-los, mas eles não creem em tais imagens, eles creem em uma fórmula matemática. A representação mental é só para facilitar a compreensão, mas não é a verdade em si. Talvez você questione que bem faz acreditar em algo que não consegue entender. Bem como eu disse não é preciso entender o processo que leva o alimento a ser absorvido pelo corpo para se alimentar dele. Da mesma forma podemos crer que a morte de Jesus é algo que transforma toda a nossa vida mesmo antes de compreender o que ela é, ou o que ela representa. Aliás, só saberemos como ela opera em nossas vidas depois que aceitarmos e crermos que ela opera.

Portanto a essência é: Cristo morreu por nós, sua morte limpou nossos pecados e morrendo, ele venceu a própria morte. As teorias que explicam como a morte dele operou tais fatos são secundárias, e não devem ser confundidas com a essência, ainda assim é interessante conhecer tais teorias, pois assim como as imagens que os físicos fazem dos átomos, elas nos ajudam a compreender melhor o que aconteceu. A principal teoria é a que já afirmei, de que Cristo se voluntariou para sofrer o castigo que deveria ser nosso, e assim nos poupou. Mas penso que a princípio tal teoria lhe pareça tola, afinal se Deus tinha condições de nos poupar, porque não o fez desde o início? E porque punir um inocente no lugar do culpado faria diferença? Concordo que não faz sentido se estivermos pensando sob um ponto de vista policial, mas se pensarmos a partir de um ponto de vista de uma dívida, conseguimos entender que alguém com mais recursos possa pagar a dívida no lugar da pessoa que de fato deve. A pergunta que cabe ser feita agora então é que tipo de dívida o ser humano tem, de quanto estamos falando?

O homem tentou viver por conta própria, agir como se pertencesse a si mesmo. Em outras palavras o homem não é só um ser imperfeito que precisa se aperfeiçoar, ele é um rebelde que antes de mais nada precisa se render. O que o homem precisa fazer é pedir perdão, reconhecer que estava do lado errado, trilhando um mau caminho e se preparando pra recomeçar a vida do marco zero. Esse processo de entrega, esse movimento para trás a toda velocidade é o que o Cristão chama de arrependimento. Não confunda arrepender-se com desculpar-se. Arrependimento envolve que abandonemos uma postura de vida que temos desde que nascemos, é necessário "matar" uma parte de nós, em outras palavras para arrepender-se é preciso ser BOM. O problema é que só uma pessoa MÁ precisa se arrepender, mas só uma pessoa BOA é capaz de fazê-lo perfeitamente. Esse arrependimento perfeito é o que os cristãos chamam de conversão. E todo ser humano precisa passar por ela, embora uma parte deles se recuse.

O único jeito de passarmos por essa conversão, é com o auxílio de Deus, já que precisamos nos arrepender por sermos maus, e justamente por isso não somos capazes de nos arrepender. Deus nos auxilia colocando em nós um pouco de si, Ele põem sobre nós um pouco de seu raciocínio, e assim conseguimos pensar, põem sobre nós seu amor e assim conseguimos amar as outras pessoas. É como quando ensinamos uma criança a escrever. Ela segura o lápis e nós seguramos a mão dela, ela traça as letras porque nós as estamos traçando. Da mesma forma nós pensamos e amamos porque Deus está pensando e amando. Se não tivéssemos escolhido o lado rebelde, tudo isso seria fácil, mas agora dependemos completamente de Deus para fazer essas coisas. Precisamos principalmente do auxílio de Deus para fazer algo que em sua essência Deus não faz: voltar atrás, sofrer, submeter-se, morrer. Nada disso passa pela natureza de Deus, mas precisamos passar por isso e precisamos do auxílio dele, mas esse é um caminho que Deus em sua natureza nunca percorreu, Deus nos dá daquilo que tem, mas em sua natureza tais coisas não existem.

Mas antes que você se desespere, Deus já havia pensado em tudo isso, ele tinha a única resposta. Fundir sua natureza divina à uma natureza humana (capaz de sofrer e morrer), e então poder nos ajudar. Ele poderia sofrer e morrer por ser homem, e poderia fazer isso com perfeição por ser Deus. E é assim que Deus paga as nossas dívidas e sofre por nós o que Ele não precisaria sofrer de maneira nenhuma. A partir disso nossas tentativas de arrependimento só terão êxito se nós homens compartilharmos da morte de Deus que se fez homem.

Algumas pessoas criticam dizendo que a morte e o sofrimento de Jesus perderiam o valor se ele é de fato homem e de fato Deus, pois seria mais fácil para Ele. Na realidade, não eram apenas mais fáceis, a submissão, sofrimento e morte perfeitas só são possíveis por ele ser Homem e Deus. Mas não vejo nenhum motivo para não aceitar o que ele fez só porque lhe era possível fazer e não era a nós. Um professor ensina a criança pela mão a escrever porque é um adulto e já sabe escrever, se nos afogamos em um rio e há alguém na margem nos estendendo a mão diríamos "não posso aceitar sua ajuda, porque você tem uma vantagem"? Só podemos ser ajudados por alguém mais forte e que esteja em uma condição melhor do que a nossa. Não há motivo algum para se envergonhar disso, exceto o orgulho talvez. Mas alimentar o orgulho não passa de uma afirmação de que não queremos ajuda alguma, que podemos nos virar sozinhos, e foi justamente este pensamento que nos levou aonde estamos hoje, ao pecado, ao meio do rio profundo em que estamos prestes a nos afogar.

Mas como eu disse toda essa explicação é apenas uma teoria que explica a essência, não a confundamos com a essência em si, se a explicação não lhe ajudar então é melhor a deixar de lado. E se concentrar apenas na essência. Não deixe de se alimentar só porque não entende como os alimentos ingeridos acabam se tornando nutrientes absorvidos por seu corpo.

OBS MINHA (YURI): Não sei se tal teoria que C.S.Lewis explica realmente não faz parte da essência, ainda estou refletindo sobre o que ele quer dizer com isso e quais são as implicações práticas disso.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Cristianismo Puro e Simples 8 - A Alternativa Surpreendente

Bom concluímos o capítulo anterior afirmando então que os Cristãos acreditam que este mundo está dominado pelo inimigo. Mas isso gera uma pergunta, estaria isso de acordo com a vontade de Deus? Se sim, poderíamos dizer que ele é um Deus muito estranho; se não, como algo pode estar contra sua vontade? Se você já tomou um cargo de autoridade, tanto em sua casa quanto no trabalho ou outro lugar, sabe como é possível que algo esteja em parte de acordo com sua vontade, e em parte não. Por exemplo: Se você diz aos seus filhos que arrumem suas camas todos os dias por conta, sem você ter de ficar checando e mandando todos os dias e um dia você passa pelo quarto e vê as camas desarrumadas, isto está por um lado contra a sua vontade, mas por outro a liberdade dada aos filhos de arrumarem o quarto por conta própria está de acordo com sua vontade. Ou então pense que em uma instituição qualquer é só o trabalho passar a ser voluntário para metade das pessoas (pelo menos) deixar de trabalhar.

Deus criou seres com livre-arbítrio para escolher entre o bem e o mal, ele deseja que escolhamos o bem, mas acima desse desejo Ele quer que façamos nossa própria escolha. Ele considerou que era algo que valia a pena termos mesmo que escolhêssemos o mal, pois o nível da relação de amor que está destinada a um ser que responde em amor por escolha própria é inigualável. Não faria sentido algum criar seres feito máquinas que fossem obrigados a fazer o que foram programados, não valeria a pena. Deus sabia o que aconteceria se o ser humano escolhesse o mal, e estava disposto a pagar o preço por isso. Talvez fiquemos inclinados a discordar dele, mas como argumentar com alguém que criou a argumentação? Se Ele considera que valia a pena pagar o preço, só podemos concordar e agradecer.

Algumas pessoas perguntam: "Por que Deus fez o ser humano de um material tão fraco que se corrompeu?" Mas a corrupção nada tem a ver com a fragilidade do material. Quanto mais forte o material (a inteligência, a força, a liberdade) melhor ela será se proceder bem, OU pior será se proceder mal. Uma vaca não pode ser muito boa ou má, um cão já pode ser um pouco mais, uma criança mais, um homem adulto mais, um adulto extremamente inteligente ainda mais, e um espírito sobre humano seria ainda muito melhor ou pior dependendo de suas escolhas. Não podemos afirmar categoricamente mas podemos supor que o poder das trevas se desviou da seguinte forma. Quando se tem um eu autônomo, é possível que se queira se colocar acima de todos os demais, desejando ser o centro, o próprio Deus. É isso que se supõe ter passado pelo ser que se tornou o inimigo. Além de vivenciar isso, ele ainda ensinou tal coisa aos homens que também vivenciaram. Alguns acham que o pecado original tinha algo a ver com sexo, mas a Bíblia deixa claro que o sexo como as demais coisas era algo maravilhoso até ser corrompido, depois do pecado.

Enfim o que satanás queria que pensássemos é que podemos ser nosso próprio deus, que podemos ser independentes, e experimentar uma felicidade própria, fora de Deus, e é assim que começa a longa história humana na busca de algo sem ser Deus que o faça feliz como: dinheiro, ambição, guerra, prostituição, classes, impérios, escravidão, etc... Mas tais tentativas sempre falharão pois Deus nos fez como quem faz um motor movido a gasolina, não adianta tentar colocar outro combustível, pois o motor não vai funcionar como deveria, da mesma forma Ele nos fez para funcionarmos a partir do combustível "Deus", portanto só experimentando uma relação com ele é que vamos funcionar e seremos felizes. As vezes até dá a partida e anda alguns metros, mas logo quebra novamente.

Certo já sabemos o que o inimigo fez ao ser humano, mas então o que Deus fez quanto a isso? Bom, em primeiro lugar ele deu ao homem a capacidade de perceber o certo e o errado (Lei Moral), ninguém jamais conseguiu cumprir a lei completamente, mas continua sendo uma diretriz de Sua vontade. Em segundo enviou à terra algo que costumo chamar de bons sonhos: essas estranhas histórias em grande parte das religiões pagãs sobre um deus que se sacrifica e volta a vida dando aos homens uma vida nova. Em terceiro lugar ele escolheu um povo para se revelar e mostrar que tipo de Deus ele é: único e justo. Este povo foram os judeus, e o velho testamento bíblico dá uma boa noção de sua história. E por fim vem a principal atitude de Deus.
Surge entre os judeus um homem que se diz Deus, que atribui a sí o poder de perdoar os pecados e afirma que sempre existiu e que virá julgar o mundo no final dos tempos. Para panteístas e hindus não há nada demais em dizer que se é um com Deus, mas para um judeu, Deus é o totalmente outro, é um ser que está completamente fora do universo criado. Portanto o que este homem dizia era algo extraordinário.

Uma de suas reivindicações passa quase desapercebida, pois já a ouvimos tanto que perdemos a noção do que significa. Ele se diz capaz de perdoar qualquer pecado. Até entendemos a questão de EU perdoar alguém que procede errado contra MIM, ou de VOCÊ perdoar aquele que LHE ofende, mas como alguém pode perdoar o pecado de qualquer pessoa sem nem consultar aqueles que foram prejudicados pelo pecado, como se a parte mais interessada, mais prejudicada fosse ele mesmo? Isso só faria sentido se de fato fosse Deus e cada e qualquer pecado cometido fosse sua lei sendo quebrada e seu amor sendo ferido.

Apenas para concluir, sei também que existem alguns que afirmam a coisa mais tola possível a se dizer sobre Jesus: "Estou pronto para aceitar que Jesus foi um grande mestre de moral, mas não aceito a sua prerrogativa de ser Deus". Se Jesus fosse apenas um homem e dissesse o que Jesus disse, então não poderia ser um mestre de moral, ele seria ou um lunático em pé de igualdade com quem diz ser um ovo cozido, o que não o classificaria como mestre de coisa alguma; ou um demônio mentiroso o que também desqualifica-o de qualquer relação com questões morais. Ou era e de fato é quem diz ser, o Próprio Deus. Nossas alternativas portanto resumem-se a: contra-argumentar suas falas taxando-o de maluco; cuspir nele e matá-lo feito um demônio; ou cair aos seus pés e chamá-lo de Senhor e Deus. Mas em suas falas e em sua vida ele não nos deu nenhuma alternativa de considerá-lo um grande mestre de moral e nada além disso, não nos deu tal escolha e nem nunca pretendeu dar.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Cristianismo Puro e Simples 7 - A Invasão

Como disse no capítulo anterior, o Ateísmo é uma teoria muito simplista. Mas não é a única, outra posição muito simplista é algo que gosto de chamar de Cristianismo Água-com-Açúcar. Que afirma que há um Deus bom no céu, e que tudo está bem, deixando de lado todas as difíceis doutrinas sobre pecado, inferno, redenção, demônios, etc... Ambas são filosofias muito infantis. Não adianta procurar uma religião ou filosofia simplista, porque as coisas reais não são simples, por mais simples que uma mesa pareça, na verdade sua composição química, a resistência do material, o projeto matemático por trás, tudo isso é parte fundamental da mesa que você tem, o que a torna real é sua complexidade. Você pode parar nas aparências, mas se realmente está buscando a verdade então é bom que esteja preparado, pois ela não é simples.

Algumas pessoas que vão abertamente contra o cristianismo, só o fazem lidando com um cristianismo infantil, mas quando se tenta explicar o cristianismo como um adulto então reclamam que é complexo demais para se entender. E se Deus existisse ele teria feito a religião algo simples de se entender. Bom, primeiro que a religião não é criada por Deus, ele se faz revelar por fatos inalteráveis, o que nada tem a ver com religião, quanto a simplicidade, bem como eu disse acreditamos na realidade das coisas por serem complexas. Se os planetas em nossa galáxia tivessem a mesma distância entre si, ou um padrão quanto ao número de luas, acharíamos que algo foi manipulado, facilitado, falsificado. Mas o universo é tão complexo e sem sentido (padrão) que nos leva a crer que só pode ser real. A realidade é de fato bastante surpreendente e este é um dos motivos pelos quais eu creio no Cristianismo, jamais alguém pensaria em algo assim. Resumindo as perguntas não são simples, suas respostas também não serão, deixemos essas filosofias simplistas de lado para buscarmos a verdade, a realidade, mesmo que envolvida em sua complexidade.

A grande questão que ainda não respondemos é: O universo contém coisas obviamente más e aparentemente sem sentido, mas no meio disso tudo existem os seres humanos que sabem que tais coisas são más e/ou sem sentido. Só há dois pontos de vista que conseguem explicar isso. Um é o ponto de vista cristão, que diz que tudo era originalmente bom, de alguma forma o mundo foi corrompido mas ainda retemos na memória como as coisas deveriam ser. Outro ponto de vista é o que se chama Dualismo, que afirma que há dois poderes equivalentes e eternos por trás de todas as coisas e que travam uma guerra sem fim. O problema do dualismo é que diz-se que os dois poderes são independentes, nenhum criou o outro. Cada um pensa que o que faz é bom e o outro é ruim. Um gosta do amor e da misericórdia e o outro do ódio e da destruição. Mas o que queremos dizer então quando chamamos um de "o bom poder" e o outro de "o mal poder"? Imagino que só aja duas possibilidades. Ou estamos dizendo que preferimos um ao outro como quem prefere coca-cola à guaraná; ou achamos que um pensa que é bom, mas na verdade é ruim independentemente do que ache ou das escolhas que os seres humanos façam em determinados momentos. Se fosse a primeira opção então deveríamos parar de falar sobre bem e mal, pois na realidade não passariam de escolhas de acordo com nossa conveniência, e já vimos alguns capítulos atrás que a Lei Moral não depende de nossa conveniência. Então sobra a opção de que o mal poder está equivocado e de fato ele é injusto.

Mas aí cairíamos de novo na questão de que para algo ou alguém ser considerado justo ou injusto é necessário um terceiro poder a que se compare os dois e veja qual está de conformidade com ele (justo) e qual não (injusto). Outra forma de vermos isso é que se o dualismo fosse verdade o mal poder exime que há desejo de maldade pela maldade. Mas isso não existe. Ninguém é mal por ser. Por mais cruel que alguém seja sempre há o objetivo por algo bom (prazer, dinheiro, poder, segurança) mas de modo errado. A maldade não passa da bondade corrompida, só podemos explicar uma perversão sexual a partir de uma sexualidade normal. Explica-se o pervertido pelo normal e não o contrário. Logo para ser mau é necessário que se busque algo bom pelo modo errado, ou que se tenha algo bom para perverte, mas um poder absolutamente mal não poderia buscar algo bom ou ter algo bom em nenhuma hipótese, a não ser que lhe fosse dado tais coisas pelo bom poder, mas nesse caso os poderes não seriam equivalentes e independentes. Não passa de uma fantasia.

É por esse motivo que o Cristianismo defende que o demônio é um anjo caído, pois reconhecem que o mal não é algo original, mas um parasita disposto a corromper a bondade. Para um homem ser mau é preciso resolução, habilidade, boa aparência, inteligência, e a própria existência, e tais coisas são boas em si mesmo. Ninguém poderia existir simplesmente pela maldade, porque existir é algo bom em si mesmo. Eis porque, rigorosamente, o dualismo não convence. Mas não tire conclusões precipitadas, algumas coisas no cristianismo realmente se assemelham ao dualismo. o Cristianismo defende sim a existência de um poder das trevas e que há uma grande batalha entre esses poderes, a diferença é que crê-se que o poder das trevas foi criado por Deus, que era originalmente bom, mas corrompeu-se. Assim a guerra seria mais como uma guerra civil onde vivemos na parte do universo dominada pelos rebeldes.

"Um território ocupado pelo inimigo, eis o que este mundo é! O cristianismo é a história de como o rei justo desembarcou disfarçado e nos chama para participar de uma grande campanha de sabotagem. Quando vamos à igreja, escutamos o telégrafo secreto de nossos amigos: esta é a razão pela qual o inimigo está tão interessado em nos impedir de irmos à igreja. Ele faz isso jogando com nossa vaidade, preguiça e esnobismo intelectual." Talvez alguns perguntem se vou então introduzir a figura do diabo com patas, chifres e tudo mais. Não tenho predileção por patas e chifres, e não tenho interesse em conhecer sua aparência física, mas fora isso a resposta é sim. E mais afirmo que se alguém tem interesse em conhecê-lo não se preocupe ele se fará conhecer, mas se você ficará contente ao conhecê-lo, isso é um outro problema.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Cristianismo Puro e Simples 6 - Duas Concepções de Deus

Pediram-me para falar sobre o que os Cristãos creem, mas quero começar falando sobre algo que eles não precisam crer. Cristãos não precisam crer que todas as demais religiões estão completamente erradas. Um ateu precisa crer isso, mas um cristão, não. Mesmo as religiões mais excêntricas contém ao menos alguma alusão a verdade. Contudo o cristão tem que admitir que no que difere o cristianismo das demais religiões, ele está certo e as demais religiões estão erradas. É como em aritmética: há somente uma resposta certa, mas há respostas erradas que mais se aproximam da certa do que outras.

A primeira grande divisão da humanidade nesse assunto portanto se encontra entre uma maioria que acredita em Deus (ou deuses) e uma minoria que não acredita. A segunda divisão se refere aos que creem, diferenciando-os a partir da espécie de Deus em que creem. Há duas idéias bem distintas nesse ponto. Uma é que Deus está além do bem e do mal, e os homens é que tem a tendência de categorizar as coisas como boas ou más. Mas que isso na verdade não passa de nosso ponto de vista, dizem também que quanto mais sábios ficamos mais conseguimos ver as coisas do ponto de vista divino e portanto menos distinção fazemos do bem e do mal. Assim seria verdade que um câncer é mal por matar um homem tanto quanto um cirurgião é mal por matar um câncer variando apenas o ponto de vista. Tal corrente de pensamento é conhecida como Panteísmo e foi defendida por Hegel e até onde eu sei também pelos hindus. A outra ideia é oposta e afirma que Deus é absolutamente bom e justo, um Deus que ama o que é amável e odeia o que é odioso e que quer que procedamos de uma certa maneira. Esta corrente é defendida pelos judeus, maometanos e cristãos.

Há outra grande diferença entre o Panteísmo e a ideia cristã de Deus. Os Panteístas acreditam que Deus, por assim dizer, impulsiona o universo como nós impulsionamos nossos corpos. Ou seja a relação de Deus e do universo é de mente e corpo e portanto se o universo deixasse de existir Deus também o deixaria. De acordo com tal pensamento toda a matéria deve ser considerada de alguma forma uma parte de Deus. O conceito cristão é completamente diferente. Cremos na relação Deus/universo como um pintor e seu quadro, ele tirou de sua cabeça a ideia do universo e a refletiu em seu quadro mas isso não quer dizer que o quadro ou a pintura em si sejam Deus ou partes dele, apenas refletem suas ideias. Essas duas diferenças se relacionam. É fácil dizer que tudo é Deus se você não faz distinção entre o bem e o mal, mas se você considera que algumas coisas sejam realmente ruins (como um câncer maligno) e considera que Deus seja totalmente bom, então não pode afirmar que ambos sejam um. O panteísmo diria que não enxergamos o panorama todo e que se enxergássemos veríamos que não há nada que seja apenas ruim, o cristianismo diz que Deus criou todas as coisas boas, mas que muitas delas foram corrompidas.

Isso gera uma pergunta óbvia, se Deus é bom e o mundo proveio dele, como puderam as coisas se corromper? Por muito tempo eu me neguei a ouvir o que Cristianismo tem a dizer sobre isso, acreditava que era apenas uma tentativa de contornar o óbvio, a simples verdade de que tal situação era absurda e portanto não havia Deus nenhum. Pois se um mundo é injusto não pode haver um Deus justo que o governe. O problema com meu pensamento é que não sabia explicar de onde havia tirado a ideia do que é justo e do que é injusto. Ninguém pode afirmar que uma linha é torta se não conhecer uma linha reta. Com o que eu comparava o universo ao qual eu chamava injusto? E mais, se ele fosse completamente injusto como eu, que sou parte do universo, reagiria contra ele, então estou agindo com justiça? Das duas a uma, ou me desfazia da ideia de justiça e injustiça reais, e passava a aceitar que não passava de uma opinião própria e pessoal (mas nesse caso meu argumento contra Deus sucumbiria visto que o universo poderia não ser de fato injusto, seria apenas aos meus olhos), ou aceitava que minha ideia de justiça fazia sentido e realmente vinha de algum lugar externo a mim mesmo e ao universo ao qual se deve considerar injusto. Portanto pra conhecer justiça e injustiça é preciso comparar o universo injusto a algo externo ao universo que seja justo e portanto faz sentido que haja um Deus justo mesmo havendo um universo injusto.

O ateísmo demanda crer num universo completamente injusto, mas se assim o fosse não teríamos conhecimento do que é justiça, e como isso não é verdade então argumentam que o universo na realidade não faz sentido. O ateísmo portanto torna-se por demais simplista afinal de contas se todo o universo não faz sentido algum, jamais descobriríamos que ele não tem sentido, da mesma forma que se não houvesse luz no universo jamais saberíamos o que é escuro, a palavra escuro perderia totalmente seu significado. É simplista portanto pois não encara os problemas, apenas os esconde sobre o fato de que jamais saberemos. E digo isso com convicção porque foi nisso que acreditei em grande parte da minha vida.

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Cristianismo Puro e Simples 5 - Temos Razão para estarmos Preocupados

Concluímos no capítulo anterior que na Lei Moral alguém ou alguma coisa, fora do universo material, realmente atua dentro de nós. Imagino que alguns leitores tenham ficado descontentes quando cheguei a esse ponto, e consideram que apesar de eu ter camuflado uma filosofia na verdade eu só estava enganando-os pregando um sermão religioso. E que de religião este mundo já está cheio e a considera algo ultrapassado.
Bem, a vocês quero dizer 3 coisas.

Primeiro; quanto a ser ultrapassado, poderíamos dizer por exemplo que muitas vezes é sensato ser ultrapassado por um louco dirigindo na estrada, o que importa é chegar em nosso destino e se nos apressarmos talvez não cheguemos lá por tomar algum caminho errado, inclusive, se já estiver em uma rota errada, o único jeito de progredir é dando meio volta e voltando à estrada correta, do contrário jamais se chegará ao objetivo. Nada há de progressista em teimar e não admitir o erro, e creio que olhando pra nossa sociedade, é óbvio que o ser humano cometeu um grave erro em algum ponto.

Segundo; não considero que minhas palavras até então estejam relacionadas a um sermão religioso, não falamos nada até aqui sobre o Deus de uma religião, muito menos especificamente o do cristianismo. Só sabemos que há alguém ou alguma coisa por trás da lei moral e não nos valemos até então da igreja ou da bíblia para tais conclusões, usamos exclusivamente nosso raciocínio lógico, e portanto até então nada mais é do que filosofia pura. Sabemos da existência desse "algo ou alguém" por dois motivos, um é o próprio universo que ele fez. Se tivéssemos apenas esta evidência concluiríamos que esse alguém é um artífice brilhante, pois o universo é lindo, mas também alguém muito cruel, pois o universo também é muito perigoso. No entanto temos outra evidência que inclusive é o que nos leva a crer que o universo não é materialista (matéria eterna e condução evolucionista ao acaso), que é o fato de que como seres humanos conhecemos a lei moral embora não a tenhamos criado e não a obedeçamos apesar de sabermos que devemos obedecê-la.

A partir dessa segunda evidência podemos concluir que esse ser é bom, não no sentido de piedoso ou misericordioso, mas no sentido de correto e justo. Pois afinal a lei moral que ele estende ao ser humano é sempre pautada por extrema justiça e altruísmo. Uma parte de nós concorda com ele que o egoísmo, a ganância, etc, devem ser punidos e reprimidos, mas queremos que em nosso caso sejam feitas exceções. No entanto se há uma retidão absoluta ela deve odiar a maior parte de tudo o que fazemos, e esse é o nosso dilema. Se o universo não fosse governado por uma retidão absoluta então não haveria motivos para não agirmos como bem entendemos e assim estupros, roubos e assassinatos não poderiam ser considerados errados. Mas se é governado por tal retidão, então a cada dia que passa nos tornamos mais inimigos deste ser absolutamente correto. Deus é o único apoio e o extremo terror, o que mais precisamos e de quem mais desejamos fugir. O único possível aliado e nós nos fazemos seus inimigos.

Terceiro; se escolhi uma rota indireta para chegar a tais conclusões não foi meu objetivo enganar ninguém, acontece que para entendermos o que o Cristianismo fala a respeito do universo é preciso primeiro chegar a tais conclusões, o centro da tese cristã se encontra no arrependimento humano e no perdão divino, mas como falar sobre isso com pessoas que não sabem o que fizeram de errado e portanto não entendem de que devem ser perdoadas? É preciso primeiro concluir a existência de uma lei moral e de que há um poder por trás dela para entendermos que apesar de sabermos que devemos fazer algo não o fazemos, e assim vamos contra este poder por trás da lei. Só agora que entendemos o quão desesperadora é a nossa situação é que temos algo a aprender com o cristianismo. Pois ele explica como caímos nessa situação, como Deus pode ser pessoal além de uma mente por trás da criação, como as exigências dessa lei que nenhum de nós cumpre completamente foram cumpridas em nosso lugar, como o próprio Deus se fez homem para salvar o homem da condenação de Deus.

Queria poder dizer coisas mais agradáveis, mas se formos honestos conosco sobre os pensamentos que adotei até aqui não podemos negar a nossa trágica situação. Não tenho dúvidas de que o cristianismo proporciona uma satisfação indizível, mas ele não começa pelo conforto e sim pelo desconforto que descrevi até aqui. E digo mais, não adianta procurar a satisfação sem antes passar pelo desconforto, satisfação não é algo que encontramos procurando por ela. Se procurarmos a verdade poderemos encontrar a satisfação no fim. Se procurarmos primeiro a satisfação, não a encontraremos e nem à verdade, encontraremos apenas adulação superficial e falsa esperança e por fim o desespero.

domingo, 29 de janeiro de 2012

Cristianismo Puro e Simples 4 - O que há por trás da Lei


No capítulo anterior concluímos a existência de uma lei objetiva criada, mas não POR seres humanos, mas PARA eles. Mas o que isso nos diz a respeito do universo?

Existem duas correntes de pensamento sobre este assunto. Uma é Materialista (crê que a matéria é eterna), sem razão de existir, que comportando-se ao caso, gerou o universo, e a vida que evoluiu em uma série de improbabilidades num ambiente propício até se tornar seres racionais. A outra corrente, é a corrente Religiosa, que afirma haver algo por trás do universo que o criou e que se assemelha ao nosso ponto de vista mais com uma mente, do que com qualquer outra coisa que conheçamos. "Algo" com propósito e consciência, que possui preferências, escolhas. Segundo esta corrente o universo bem como o ser humano é criado com um propósito e estes seres humanos se assemelham com esta "mente" pelo fato de também possuírem mentes.

Nunca uma dessas correntes se extinguiu ou prevaleceu sobre a outra evoluindo e caminhando para o total extinguir da outra. Aonde houver pensadores, existirão as duas correntes. Além disso posso afirmar que pelo método científico é impossível provar qual delas está correta, isto pq tal método parte da experimentação e observação. Em qualquer definição científica acabaremos reduzindo o processo em frases como: "Apontei o telescópio a tal hora para tal direção e observei que..." ou "Misturei tais elementos a uma temperatura tal e averiguei que..." Não estou desprezando a ciência, estou apenas explicando o que ela faz e como ela faz. Seus objetivos são úteis e necessários.

Mas a razão pela qual as coisas existem e se há ou não "alguma coisa" por trás delas não é um problema científico. Se há "algo por trás", este "algo" continuará desconhecido, ou se fará conhecer por outro meio. Afirmar a existência ou não desse ser é algo que a ciência jamais poderá fazer. Os verdadeiros cientistas em geral se abstém de fazer tais afirmações, geralmente esse tipo de especulação é feita por jornalistas ou autores independentes que fazem um apanhado desconexo de fatos científicos e compõem em ordem aleatória as informações de uma ciência mal assimilada. Mesmo se um dia a ciência se tornar perfeita e pudermos conhecer tudo que há no universo continuaríamos sem resposta para perguntas como: "Por que há universo?" ou "Por que ele se mantém?" ou ainda "Qual o sentido da vida?" pois tais questões são referentes ao que há de externo ao universo.São informações inacessíveis do ponto em que estamos.

Tal situação seria desesperadora não fosse o fato de que há uma coisa, e apenas uma em todo o universo, que conhecemos muito além do que conheceríamos através apenas da observação: e essa 'coisa' é o Homem. Nós não só observamos o homem, como nós somos Homens. Por isso temos informações de origem interna, nós SOMOS parte desse conhecimento. E é justamente por isso que sabemos que o Homem possui uma lei moral objetiva não criada por ele mas que atua sobre ele, a qual não é possível se esquecer completamente e a qual devem obedecer.

Percebemos que se alguém estudasse o Homem exteriormente, apenas através de observação, e desconhecesse nossa linguagem (impossibilitando o acesso a informações que só nós poderíamos fornecer), jamais suspeitariam de tal lei, afinal até comprovariam os fatos feitos pelo homem, mas não poderiam adivinhar que apesar do homem agir de uma maneira el saiba que deveria agir de outra. Assim se há algo exterior ao universo jamais poderíamos descobrir através de observações do exterior.

"O problema se coloca então da seguinte maneira: queremos saber se o universo simplesmente é o que é, não tendo razão para existir, ou se há um poder por trás que o faz ser o que é. Esse poder, se existir, não seria nenhum dos fatos observáveis, e sim uma realidade que os produz; por isso ele não poderia ser encontrado mediante a simples observação dos fatos. Num só caso poderemos saber se há ou não algo além: no nosso próprio caso. E neste único caso sabemos que há."

Se há um poder controlador fora do universo ele não poderia se apresentar como um dos fatores de dentro do universo, assim como um arquiteto que projeta uma casa não é uma de suas paredes ou vigas. O único modo que admitiríamos que um poder desses se revele seria na forma de uma influência ou comando, atuando dentro de nós no sentido de procedermos de uma certa maneira. E é justamente isso que constatamos dentro de nós. No único caso que poderíamos esperar uma resposta, a resposta é SIM, e nos outros casos sem resposta, sabemos porque não as obtemos (porque são apenas observadas exteriormente).

É como se você visse uma pessoa uniformizada deixando envelopes na sua casa, você imaginaria que todo o conteúdo que ele carrega dentro dos envelopes são cartaz, mesmo que jamais tenha abrido os envelopes alheios, você conclui isso a partir dos envelopes que foram destinados a você e que sempre têm cartas dentro. Mesmo que o conteúdo das cartas seja diferente, ainda assim é óbvio que em todas elas há um remetente. Não sabemos o que o remetente diz as demais coisas que nos cercam, mas ao ser humano ele fala a respeito de sua lei moral.

Não pense que estou avançando rápido demais, ainda estou longe de apresentar tal força como o Deus do Cristianismo, mas definimos com clareza e lógica que há uma Lei objetiva que não foi feita pelos seres humanos, mas para eles, por um remetente que está por trás de todo o universo, chegamos a tal conclusão ao analisarmos nossa própria natureza a partir de informações internas que só temos por sermos seres humanos (o próprio objeto do estudo). Pensamos até aqui que tal "remetente" se assemelhe mais a uma mente do que qualquer outra coisa que conheçamos, porque tudo o mais que conhecemos é matéria, e é difícil de imaginar matéria sem mentes capazes de dar instruções, não é mesmo? Mas não é preciso até a linha de raciocínio atual que seja realmente como uma mente, ou muito menos como uma pessoa. No próximo capítulo tentamos refletir mais sobre esse ponto.

NOTA: para facilitar a compreensão só foram abordados os pontos de vista materialista e religioso, mas existe um terceiro ponto que seria o da força vital, ou da evolução criadora, que defende que as evoluções do mundo que geraram a vida que conhecemos hoje não é fruto do acaso, mas segue propósitos de uma força vital. Mas para isso é preciso se perguntar se tal Força Vital é dotada de espírito ou não. Se a resposta for afirmativa, então não se está falando nada de diferente sobre o conceito religioso. No caso negativo que sentido há em dizer que algo sem espírito conduz ou tem propósitos? O único motivo pelo qual alguém acreditaria em tal ponto de vista é devido a sua comodidade. Pensando assim recebemos todo o conforto emocional a partir da crença na existência de um Deus, mas não nos vinculamos a nenhuma outra consequência desse fato. Se tudo vai bem é legal acreditar que o universo não é uma mera dança mecânica de acasos. Mas se queremos fazer algo "ruim" então este "Deus" jamais nos impediria. A Força Vital é uma espécie de Deus domesticado. Podemos fazê-lo entrar quando quiser, mas não nos incomodará. Tal comodidade é atraente, mas para aqueles que buscam a verdade e não a comodidade, é um caminho facilmente abandonado.

sábado, 28 de janeiro de 2012

Cristianismo Puro e Simples 3 - A Realidade da Lei

Agora que já vimos algumas objeções, vamos seguir em frente no raciocínio a partir da premissa: O homem conhece a Lei da Natureza Humana e não a cumpre. Talvez você considere que tal situação não seja digna de muita atenção, afinal "dizer isso não seria apenas dizer que não somos perfeitos? E por que deveríamos de ser?" Tais perguntas fariam sentido se meu objetivo fosse apontar quantas vezes não agimos como achamos que os outros deveriam agir e censurar-nos por isso. Mas não estou interessado em censuras, meu objetivo é descobrir a verdade. E deste ponto de vista (do da verdade) a própria ideia de imperfeição, ou seja, de algo não ser exatamente como deveria ser, possui suas consequências.

Pense em uma pedra, ou em uma árvore, dizemos que ela é o que é, não faz sentido dizer que deveria ser diferente. Podem até não ter o formato que te beneficie em algum dado objetivo, como fazer uma parede ou produzir mais sombra, mas isso não é culpa da pedra, ou da árvore, elas são o que são a partir das leis físicas e biológicas.

Quanto a tais leis, não são na verdade o que poderíamos chamar de leis, apenas expressam fatos, afinal leis podem ser obedecidas ou não, mas estas são impossíveis de desobedecer, portanto são apenas fatos. Como a lei da gravidade por exemplo. Porém a Lei da Natureza Humana não é como estas outras, ela não significa algo que os seres humanos de fato fazem. Pois como já vimos a maioria não obedece esta lei e NINGUÉM a cumpre perfeitamente. Portanto quando se trata do homem e da Lei da Natureza Humana, há algo além dos fatos. O homem age de determinada maneira (fatos), mas sabe que deveria agir de outra (algo mais). Todas as demais coisas do universo se atém aos fatos.

Em uma atitude defensiva, tentamos explicar isso como o caso da pedra e da árvore, dizendo que é só um caso de inconveniência para um certo objetivo. Mas isso não é assim, veja bem: Se alguém chega primeiro no ônibus e pega o acento da janela, lhe é inconveniente, da mesma forma como se alguém rouba o seu acento enquanto você vai ao banheiro; porém o segundo é digno de censura e o primeiro não. Assim também é quando alguém o derruba sem intenção, você pode até se zangar, mas logo o perdoa, já alguém que mesmo sem êxito tenta te derrubar de propósito torna-se um inimigo para você.

O que quero mostrar é que nem sempre o que chamamos de mal, é inconveniente, na guerra é conveniente ter um espião traidor no campo adversário, mas apesar de pagá-lo por seus serviços seus amos também o consideram um ser vil. Portanto não dá para afirmar uma relação direta entre a Lei da Natureza Humana e questões de utilidade e conveniência como no caso da pedra e da árvore. Basta notar que o comportamento dito correto nem sempre nos agrada, compensa ou é útil a nossos olhos. Fazer o dever de casa ao invés de copiar de alguém, cumprir com o que nos comprometemos mesmo que seja indesejável ou dizer a verdade mesmo quando isso nos faz passar de bobos, são exemplos claros do que estou dizendo.

Há quem conteste dizendo que embora o comportamento correto nem sempre seja útil ao indivíduo, o é à sociedade, e portanto não há mistério nenhum nisso. Os seres humanos percebem que só podem ser felizes e seguros em uma sociedade onde os indivíduos ajam entre si com honestidade e justiça, e é por isso que devem se comportar corretamente. Bem, é verdade que felicidade e segurança dependem de que os indivíduos ajam de forma leal e correta uns com os outros. Mas se perguntar: "Por que não devo ser egoísta?" responderiam que é porque é bom para a sociedade, mas isso suscitaria uma contradição ou uma redundância. A contradição é porque se você age dessa forma ajudando a sociedade para no fim obter segurança e felicidades próprias, então está sendo egoísta. A redundância é que se o indivíduo já se considera feliz ou seguro o suficiente, perguntaria porque deve se importar então com a sociedade e a única resposta que daríamos é "Porque não devemos ser egoístas. O que volta ao começo.

Você está dizendo uma verdade, mas nada além disso. É como dizer: "Qual a razão de se jogar futebol?" e se respondermos "Fazer gols" na realidade só repetimos o que É futebol, mas não demos o motivo pelo qual jogá-lo. Você só está dizendo que futebol é futebol, o que é verdade, mas dispensa ser dito. Da mesma forma dizer que se deve ter um comportamento correto para beneficiar a sociedade (ou seja para não sermos egoístas) é redundante, pois não ser egoísta é parte de se ter um comportamento correto. O mistério aqui portanto é que o homem sabe que não deve ser egoísta, mas não sabe explicar porquê.

Concluímos então que a Lei da Natureza Humana não é como as outras leis (que na verdade não são leis, são fatos); também não é uma fantasia, porque se pudéssemos nos livrar dela a maior parte do que falamos ou pensamos sobre o ser humano não faria nenhum sentido; e também não é uma idealização do que nos é conveniente como indivíduos, porque nem sempre o que é correto é conveniente; podemos dizer que é conveniente para a sociedade , mas não passaria de uma redundância e continua sem explicar o porque devemos agir dessa forma. Sendo assim a Lei da Natureza Humana só pode ser uma lei objetiva que não depende do ser humano e nem foi inventada por ele, é algo acima e além dos fatos do comportamento humano e ainda assim perfeitamente real. Uma lei objetiva que nenhum de nós criou, mas que sentimos que atua sobre todos nós.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Cristianismo Puro e Simples 2 - Algumas Objeções

Concluímos o capitulo anterior com a premissa de que o ser humano sabe como deveria se comportar mas não o faz. Segundo C.S.Lewis antes de prosseguirmos no raciocínio é importante reafirmar esses pontos a partir de algumas objeções.

Há quem questione se o que chamo de Lei da Natureza Humana, não é na verdade o nosso instinto gregário. Bom, não nego que exista instinto gregário, todos nós sabemos o que agir movido pelo instinto de amor materno, pelo instinto sexual, ou pelo instinto de alimentação. É simplesmente sentir um forte desejo de agir de determinado modo. E por vezes esse instinto nos leva a desejar ajudar alguém. Porém sentir o desejo de ajudar é diferente de sentir que deva ajudar, querendo ou não.

Se você ouvir um grito de socorro provavelmente será acometido por dois desejos: Prestar ajuda (devido ao instinto gregário); e se esquivar do perigo (devido ao instinto de conservação). Mas dentro de você além desses dois impulsos, haverá uma terceira coisa que lhe dirá que o impulso de socorrer deve ser seguido e o de fugir deve ser reprimido. Essa outra coisa que julga os dois instintos e decide qual deve ser seguido não pode ser nenhum dos dois instintos não é mesmo? É algo externo a eles.

Portanto é importante ressaltar que existe algo que define qual instinto seguir e quando seguir, afinal os instintos não são bons ou ruins em si mesmos. Mesmo o instinto sexual, ou o de luta possuem momentos em que devem ser estimulados. E em contrapartida se acharmos que qualquer sentido mesmo os que parecem bons devem ser seguidos sempre, nos cegamos e acabamos nos tornando monstros.

Outros questionam-me se o que chamo de instinto moral (ou lei da natureza humana) não passa de uma convenção social, algo que nos é incutido pela educação. "Há um mal entendido aqui. Quem faz essa pergunta geralmente tem o pressuposto de que se aprendemos alguma coisa de nossos pais ou mestres, isso não passa de uma invenção humana". Mas isso não é bem assim. Aprendemos a tabuada na escola, alguém que crescesse em uma ilha deserta não a saberia, mas isso não quer dizer que a tabuada seja uma invenção que o homem poderia ter feito de outra forma se quisesse. A matemática é o que é, e é descoberta pelo homem, não inventada por ele.

Concordo que aprendemos a regra do bom comportamento através de nossos pais, professores, livros e amigos, assim como aprendemos todas as demais coisas. Porém parte do que aprendemos são convenções (como se manter a direita no trânsito, poderia muito bem ter sido a esquerda se assim o homem quisesse); e outras, que incluem a matemática, que são verdades absolutas. A questão agora é definir em qual categoria se encaixa a Lei da Natureza Humana.

O primeiro motivo pelo qual a considero absoluta é que como vimos no capitulo anterior diversas culturas e civilizações pela história continuam a manter uma mesma essência moral apesar das divergências, já convenções são completamente diferentes em diversos países em qualquer época que seja. A segunda é que quando olhamos pras diferenças entre as moralidades das culturas temos a tendência de compará-las julgando que umas são melhores, ou piores do que as outras. "Se nenhum conjunto de idéias morais fosse mais verdadeiro ou melhor do que outro qualquer, não teria sentido preferir-se a moralidade de um povo civilizado à de um povo selvagem, ou preferir a moralidade cristã à nazista.

Todos cremos que certos padrões morais são melhores do que outros. Mas pense bem, para dizermos isso é necessário um padrão externo, algo com o qual comparar as duas moralidades e ver qual delas se aproxima mais da moralidade desse padrão. Seria uma moralidade absoluta. Assim teríamos que admitir que existe um certo absoluto independente do pensamento de quem quer que seja, pois assim podemos comparar quais idéias mais se aproximam deste certo absoluto.

Portanto conclui-se que mesmo a existência de divergências entre os povos sobre o que é certo e errado acaba por reafirmar a existência de um certo absoluto. Pois ao compararmos o que cada povo acha certo ou errado escolhemos quais moralidades são melhores e portanto acabamos comparando-as com um padrão exterior a elas que seria uma moralidade perfeita ou ideal.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Cristianismo Puro e Simples 1 - A lei da Natureza Humana

Fala galera, to voltando a ativa com o blog, já há algum tempo queria ler novamente o livro Cristianismo Puro e Simples do C.S.Lewis e hoje finalmente recomecei, to anotando dessa vez e resolvi compartilhar um pouco de cada capítulo com vocês aqui no Blog, espero que seja um ponto de reflexão pra cada um que ler, começo hoje pelo capítulo 1 A lei da Natureza humana.

Pense comigo, só podemos alegar que um jogador cometeu uma falta no futebol porque existem regras pré estabelecidas de conhecimento prévio dos jogadores, não é mesmo? Da mesma forma alego que se discutimos o que é certo e o que é errado é porque existem regras pré estabelecidas incutidas dentro de cada ser humano. Pense nas situações a seguir: "E se alguém lhe fizesse o mesmo?" "Esse lugar é meu eu cheguei primeiro", "Deixe-o em paz ele não está te fazendo nada", "Porque é que você tem que ser o primeiro a entrar?", "Me dá um pedaço do seu lanche? Eu te dei um pedaço do meu ontem", "Vamos você prometeu!" Acho que todos nós já vimos e vivenciamos situações como essas não é?

Esses conceitos incutidos do que é certo, eram conhecidos como leis da natureza, hoje "leis da natureza" estão mais relacionadas à leis da física, como a gravidade. Mas quando falávamos em leis da natureza nos referíamos a natureza humana. De todas as leis que o ser humano está sujeito (leis da física, biológicas, etc) o único grupo de leis que ele pode escolher desobedecer é esse, o da natureza humana. Isto porque este grupo de leis é o único que é exclusivo ao ser humano, os demais grupos de leis são compartilhados entre os demais seres orgânicos ou inorgânicos. Por exemplo todo corpo sofre lei da gravidade, e outros animais compartilham das leis biológicas.

Eram conhecidas como leis da natureza, porque acredita-se que seja de conhecimento natural de todos quais são. Ou seja, não é necessário ensiná-las pra alguém. Claro que há exceções, mas são tais como existem pessoas daltônicas. Uma anomalia. Se elas não fossem de conhecimento geral, então não faria sentido algum o que falamos sobre a segunda guerra por exemplo, afinal como podemos dizer que os nazistas estavam errados se eles não soubessem o que era o certo? Eles não poderiam ser censurados por algo que não conheciam.

Há quem discorde que tais leis existem e são de senso comum global, afirmando que culturas e civilizações em épocas diferentes da história tinham moralidades completamente diferentes. Mas tal afirmação é falsa. Claro que há divergências, mas nunca ao ponto de uma TOTAL diversidade. Se compararmos as doutrinas morais dos antigos egípcios, babilônios, hindus, chineses, gregos e romanos, encontramos muito mais semelhanças do que divergências entre elas e entre o que consideramos correto segundo a moral atual. Pense bem, você conhece algum país ou civilização na história que considere admirável que se fuja do campo de batalha? Ou onde todos se vangloriem por terem enganado a todas as pessoas que lhes tem prestado favores?

As divergências estão mais relacionadas as pessoas a quem devemos prestar nosso altruísmo, se são apenas aos membros de nossa família, de nosso país, ou se a qualquer um. Mas é senso comum que não devemos por a nós mesmos em primeiro lugar. O EGOÍSMO nunca foi admirado segundo os padrões morais. Outra divergência é quanto ao número de mulheres que um homem pode ter. Se uma, ou várias. Mas sempre se aceitou que não se pode ter qualquer mulher que se queira como se fossem produtos a serem adquiridos.

Há também quem diga que simplesmente não acredita no certo e no errado. Mas dizem da boca pra fora, podem até agir de forma despretensiosa, mas se alguém lhe faz uma promessa e não cumpre, ou algo do tipo, este se queixa: "Isto não é justo!" Mas eu lhes pergunto, como julgar o que é justo se não considerarmos a existência de uma lei da natureza humana? Podemos as vezes até nos enganar com relação ao que é certo, assim como nos equivocamos ao fazer uma conta, mas afirmo que o certo e o errado não passam a ser uma questão de gosto ou opinião por isso, assim como a tabuada continua sendo o que é, mesmo quando erramos as contas.

Agora que estamos de acordo com a existência da lei da natureza dou um passo adiante. Afirmo que ninguém cumpre a lei. "Se há exceções entre os leitores, perdoem-me eles, mas o melhor que fariam seria ler algum outro livro, pois nada do que vou dizer neste lhes diz respeito. Agora voltando aos seres humanos normais" Afirmo que neste ano, mês ou provavelmente hoje mesmo não nos comportamos de acordo com o que esperaríamos que os outros se comportassem. Podemos dar mil desculpas. Alegamos cansaço, necessidade, ocupação e outras coisas para justificar nossas atitudes escusas e injustas, mas darmos desculpas só prova mais uma vez como acreditamos que existe sim um padrão daquilo que é correto e estamos envergonhados por quebrá-lo. O engraçado é que quando fazemos algo segundo tais padrões atribuímos todo o crédito a nós mesmos, jamais culpamos situações, ou cansaço, ou qualquer outra coisa nesses momentos.

"Estes são portanto, os dois pontos que queria estabelecer. Primeiro: que os seres humanos, em todo o mundo, sabem que devem se comportar duma certa maneira, e que não podem se livrar dessa situação. Segundo: que eles na verdade não se comportam daquela maneira. Conhecem a Lei da Natureza Humana, e a infringem. Estes dois fatos são a base de toda a reflexão quanto a nós mesmos e quanto ao universo em que vivemos."

Bom por hoje é isso galera, escrevi a maior parte com minhas palavras, mas todas as idéias e a linha de raciocínio são creditadas ao C.S.Lewis ok?

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Vencido, mas nunca derrotado!

Hoje ouvindo uma linda canção percebi o quanto sempre queremos vencer em tudo. Precisamos ser reconhecidos por nossos esforços, precisamos alcançar, conquistar, vencer. Mas qual jogo estamos jogando afinal? Qual é o prêmio por se vencer nessa vida? Será que não estamos gastando todos os nossos esforços pra vencer um jogo cujo o prêmio não vale a pena? E o pior o que realmente deveríamos jogar e vencer, deixamos de lado...

Bom, Deus ainda assim se importa conosco em cada situação, é claro, mas o que quero dizer é que não devemos nos desanimar nos momentos em que perdermos lutas que não valem a pena. Vou deixar a bela canção "Baixinho Voador" do Janires (que infelizmente não se encontra no youtube) fale pra você o que está em meu coração, especialmente os versos em caixa alta.

"Não deixa não, a tristeza fazer pole position
no seu coração menino
acostumado a tantas curvas pela vida

O sol há de brilhar depois de cada tempestade
você encontrará pistas coloridas no arco-íris
pra você correr com seu carrinho esperança

MAS NÃO SE ESQUEÇA NÃO
QUE O ÚNICO PÓDIUM QUE JESUS SUBIU
FOI NAQUELA CRUZ CERCADA POR LADRÕES
EM VEZ DE CAMPEÕES

E DAQUELA VITÓRIA
EM LUGAR DE CHAMPAGNE PRA COMEMORAR
DERRAMOU SEU SANGUE PARA NOS SALVAR

No céu quando você chegar
e abrir o notícias celestiais pra ler
vai descobrir que as derrotas aqui
foram consideradas vitórias pelos anjos
que do lado do seu nome, no livro da vida
tá escrito a palavra campeão"

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

How he loves us

Nossa faz tempo que não posto nada aqui, rs. Isso se deve principalmente as muitas formas de se compartilhar o que se pensa pela internet, agora com Twitter, Facebook, fóruns e e-mails acabei deixando o blog um pouco de escanteio, mas tem coisas que precisam ser postadas aqui, e Deus tem falado tanto comigo através dessa música que não vi outra alternativa.


Ele nos ama! Ele nos ama tanto! Não entendo como se quer podemos pensar qualquer coisa sobre nossa própria vida diante de algo assim. Como é que podemos reclamar de alguma coisa? Como podemos desejar mais tempo pra nós mesmos? Como podemos desejar qualquer outra coisa diante disso? Seu amor é como um furacão e somos como árvores que se dobram diante do vento de sua vontade e misericórdia. Não há nada além do SENHOR! Não há! E Ele, Ele nos AMA!!!! Não dá pra explicar isso em palavras, mas espero que sinta o que estou dizendo. Quando o amor de Deus chega não há tempo pra perder com ressentimentos, com reclamações, ou com egoísmo. Só há tempo pra responder a esse amor maravilhoso! Eu quero responder a esse amor, com a minha vida! Com meu serviço! Com meu coração! Com todo o meu tempo! Não com parte dele. Não porque tenho que fazer, mas simplesmente porque Ele me ama! De um jeito inexplicável, inigualável.

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Isto é ser igreja

Hoje estou postando um video que me chamou muita atenção recentemente tb, sobre o que é SER igreja:


O video fala por si, muitas vezes lidamos com a igreja como clientes, escolhemos o que interessa participar e o que não, mas igreja é o que somos, e devemos servir todos juntos sempre que pudermos pois somos um só corpo.

sábado, 20 de agosto de 2011

Sr cara legal

Fala galera, muita coisa tem acontecido na minha vida ultimamente, Deus tem agido de formas incríveis e em meio a tudo isso tenho tido o privilégio de conhecer alguns videos e músicas que tem feito muito sentido em minha caminhada, portanto nesse e nos próximos posts vou compartilhar um pouco com vocês desses recursos. O primeiro video é do Senhor Cara legal, conheci esse video através de um amigo da facul (valeu Rafa) e curti demais, sempre gostei de desenhos e achei o máximo como explicou-se o evangelho através desse aqui, chega de papo e curtam o video:



quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Se o mundo os odeia... calma aí, ele nos odeia?

"Se o mundo os odeia, tenham em mente que antes me odiou. Se vocês pertencessem ao mundo, ele os amaria como se fossem dele. Todavia, vocês não são do mundo, mas eu os escolhi, tirando-os do mundo; por isso o mundo os odeia. Lembrem-se das palavras que eu lhes disse: Nenhum escravo é maior do que o seu Senhor. Se me perseguiram, também perseguirão vocês. Se obedeceram a minha palavra, também obedecerão a de vocês." Jo15:18-20

A minha pergunta é, o mundo nos odeia? Não sei quanto a você, mas infelizmente não posso dizer isso, faço de tudo para que as pessoas a minha volta gostem de mim, ok, de TUDO não, mas realmente me preocupo em ser aceito, querido, amado pelo mundo/faculdade/escola/ trabalho. A questão é que não deveria ser assim, nos preocupamos demais com o que as pessoas pensam de nós, e muito pouco com o que Deus pensa a respeito. Será que a opinião de Deus pra nós é de menor valor do que a de nossos colegas de classe que não fariam nenhum sacrifício por nós? Mas Jesus fez, fez o maior de todos os sacrifícios! Sei que é algo difícil de mudar, ou melhor, impossível. Mas Deus nos deu o Espírito Santo para habitar em nós. Em outras palavras o próprio Deus habita em nós e portanto podemos por meio dele ser transformados. Vamos pedir isso?

Oração: Deus, sei que me preocupo de mais em agradar ao mundo, e consequentemente tão pouco em agradá-lo. Mas mude isso em meu coração, não pertenço mais ao mundo, porque você me resgatou então, dá-me da tua força pra viver pra Ti e não para o mundo, mesmo que isso signifique que o mundo nos odeie. Em nome de Jesus, amém.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Conectados e em oração.

João 15:05 e 07
"Eu sou a videira e vocês são os ramos. Se alguém permanecer em mim e eu nele, esse dará muito fruto; pois sem mim vocês não podem fazer coisa alguma."
"Se vocês permanecerem em mim, e as minhas palavras permanecerem em vocês, pedirão o que quiserem, e lhes será concedido".

Todo o capítulo fala sobre estarmos conectados em Deus, e o que isso significa na prática, mas esses dois versos me chamaram atenção. Veja que se não estamos ligados em Jesus não podemos fazer coisa alguma pelo reino de Deus. Tudo vem a partir da conexão (relacionamento). Não é possível fazer nada na internet se não estiver conectado. A conexão é fundamental. É disso que fala o verso 5, mas e o verso 7?

Penso que as vezes não nos damos conta do que significa estarmos ligados em Cristo e o poder que isso gera em nós. Se permanecemos nEle e as palavras dele permanecem em nós (ou em nossa boca), pediremos o que quisermos e nos será concedido. Tais palavras vêm do próprio Deus, que não é homem pra mentir. Se estamos conectados nele e a prova disso é que suas palavras estarão em nossas bocas, pediremos o que quisermos e nos será dado. Muitas vezes temos medo de pedir, ou não cremos muito na realização daquilo que pedimos, mas isso é tolice, devemos pedir com convicção de que será realizado.

Talvez lendo isso você já esteja preparando sua listinha de coisas que vai pedir, mas lembre-se as palavras dEle estarão em nossa boca, portanto pediremos o que Ele pediria e com certeza será concedido. Provavelmente você esteja riscando sua lista agora (rs), não significa que você não possa pedir por essas coisas, nem que Ele não se importe com elas, mas significa que elas são triviais se comparadas ao Reino de Deus, e é sobre as coisas do reino que devemos pedir. Pedir pela salvação de nossos amigos, pela cura e restauração da sua igreja, do mosaico, por mais desejo e amor por Jesus. Com certeza essas coisas nos serão concedidos. Portanto chego a seguinte conclusão:

1º Estamos conectados em Jesus? Porque se não estamos, então perdemos nosso tempo pq sem ele não podemos fazer coisa alguma que seja relevante, só podemos investir em coisas passageiras e sem valor, onde a traça e a ferrugem destroem. Então vamos nos conectar!
2º Estamos orando e pedindo com convicção pelas coisas do Reino de Deus? Porque se estivermos garanto através das palavras de Jesus que tais coisas vão começar a acontecer. Então vamos orar!

Oração: Jesus, enche nossos corações com o teu amor, abre os nossos olhos pra que vejamos o que realmente importa. Nos ajude a amá-lo a cada dia mais, a ter fome e sede de ler tua palavra e de conhecê-lo. Dá a tua igreja o privilégio de experimentar a tua presença, o teu poder, a tua cura, o teu perdão, a tua salvação e o teu amor. Toca em nossos amigos, parentes e conhecidos e abra os olhos deles para o conhecerem e se possível use as nossas vidas para alcançar as deles. Queremos ver o SENHOR agindo e queremos participar e agir contigo. Por teu nome oramos, AMÉM

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Lógica, evangelho e razão. Pt Final (por enquanto rs)

Então, devido ao fim de semestre puxado da faculdade não pude doar muito tempo ao blog e a continuar a discussão, mas tem mais uma coisa que considero importante falar do que eu vi nos últimos tempos na internet. Muitos reclamam e/ou afirmam que o Deus bíblico é muito vaidoso, que ele sempre quer ser adorado e reconhecido e apreciado, a ponto de questionarem a auto estima de Deus. Ok sei que algumas pessoas vão achar isso até engraçado, mas de fato muitas pessoas pensam assim, "que Deus mais ridículo esse que os cristãos pregam, como é narcisista". Acho que tal pensamento revela o quanto o ser humano é vaidoso, não podemos se quer supor que alguém receba glória e reconhecimento que não sejamos nós mesmos, isso é inconcebível para nós. Nós é que como ser humanos não temos uma auto-estima elevada e precisamos acreditar que o homem é o centro de tudo e é tudo o que importa. Existe algo que se chama glória, reconhecimento, louvor, isso é um fato, existe algo que se chama adoração, e se não adorarmos a Deus vamos adorar a nós mesmos só existem essas duas opções. Assim como se Deus não direcionar a Adoração pra sí, ele a direcionará para suas criaturas o que tornaria as criaturas em "deus" pois são reconhecidas, e reverenciadas por um ser todo poderoso, e a verdade é que é exatamente isso que o ser humano quer, querem ser deuses, e foi assim que começou toda a história da queda no jardim do éden...

Concluirei num próximo post outra coisa que acho de suma importância tratar sobre o assunto, mas não dentro do assunto em si, e então volto a essa questão de raciocínio lógico nas férias com mais tempo.

terça-feira, 24 de maio de 2011

Lógica, evangelho e razão. Pt4

"Por que Jesus? O que o difere de tantas outras religiões afinal?"

Penso que quando ateus fazem perguntas como essa no fundo estão dizendo, "falta pouco pra me convencer, quero tanto acreditar em algo, mas não dá se não for concreto", quanto a acreditar e toda essa história de provas empíricas e científicas já dei o meu parecer, se fosse tão cientificamente comprovável então ensinaríamos isso nas escolas bem como a lei da gravidade e a fórmula de Bhaskara, o que resultaria em que todos praticamente teriam que aceitar que é verdade por uma simples questão de teste, tentativa e erro. Mas não quero voltar a esse assunto, acredito que a resposta para a pergunta em si necessita de duas respostas.

Em um primeiro nível Jesus se diferencia de grande parte das religiões por sua história divina: Nascimento de uma virgem, a vida entre os homens, morte em uma cruz, e ressurreição ao terceiro dia. Acontece que de fato Jesus não é a única divindade a que se afirmam essas coisas, muitos outros deuses são citados que tinham esse mesmo ciclo, e isso em geral é explicado por uma questão astrológica, existem vários fatos em relação as estrelas e ao sol, as estações do ano e etc, que realmente demonstram o porque tais características são ditas tantas vezes em tantas religiões diferentes, como a morte e ressurreição após três dias por exemplo, mas de forma alguma isso anula a veracidade de Cristo, pelo contrário, penso que realmente é uma das formas pelas quais a natureza aponta para Cristo Jesus.

Entretanto de qualquer forma ainda é necessário diferenciar então Jesus Cristo dos demais deuses que também "alegam" ter morrido e ressuscitado em 3 dias. Acontece que todos os demais deuses citados, tais quais Hórus, o primeiro deus egípcio do sol, não tem comprovações históricas, podem até ser citados como personagens mitológicos, mas ninguém jamais afirmará fatos históricos ocorrentes ao lado da pessoa Hórus. Isso porque nem Hórus, nem nenhum outro deus foi um ser humano. Jesus foi o único ser humano históricamente comprovado (por ateus e crédulos) que se auto denominava Deus E ressuscitou dos mortos ao terceiro dia o que comprova a veracidade de suas palavras. Além disso apesar de ser alegado sobre esses demais deuses todo esse papo de que suas histórias são muito semelhantes as de Cristo, porque será que nenhum deles dividiu a história ao meio?

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Lógica, evangelho e razão. Pt3

"Mas eu sou bom, eu faço coisas boas porque Deus não me aceitaria? Porque tem que ser através do Deus dos cristãos?"

Essa também é uma pergunta muito feita, a maioria das pessoas acha um absurdo isso, e coloca os cristãos como arrogantes. Mas pare pra analisar o que os cristãos dizem e veja se não tem lógica. Deus criou todas as coisas perfeitas, e deu ao homem a liberdade de escolher como ele viveria, segundo os princípios de Deus ou não, o homem escolheu a segunda alternativa, resolveu viver a vida sem se importar com o que Deus pensa dela, e as conseqüências naturais foram péssimas, mas tudo bem, Deus já sabia disso tudo e se ele mesmo assim resolveu criar o homem é porque ele tinha um plano, o de se sacrificar por sua criação, e assim o fez, abrindo uma porta de novo para um relacionamento com ele.

Então veja bem existem dois padrões nessa história, o padrão da Lei e o padrão da Graça. Segundo a lei, Deus criou tudo perfeito, e se tudo tivesse se mantido assim, Deus nos aceitaria por nossas ações. Agora, ser "bom"? E quem é que tá falando em ser "bom"? Estamos falando de PERFEIÇÃO, o que significa nunca errar do momento que você nasce ao que você morre. Infelizmente ninguém jamais conseguiu tal proeza, exceto Jesus. O que significa que o padrão da Lei é alto demais para se alcançar, então não adianta você ter feito coisas boas, para compensar as ruins, pro padrão da perfeição você está fora, é como se tivesse emprestado 1 trilhão de reais de Deus e agora tentasse ser aceito por ele porque você devolveu 2000 reais, olha só? Puxa, hein?! Fala sério, é uma merreca perto da perfeição, perto do valor total, não dá pra aceitar ninguém por isso. Sobra o padrão da Graça, para trilhar pelo padrão da graça é preciso que um homem tenha existido, nunca tenha errado (ou seja teria sido aceito pelo padrão da lei) e ainda assim deu a sua vitória/vida no lugar de todas as outras pessoas IMperfeitas, agora procure em qualquer religião um homem que alegue ser o próprio Deus e que nunca tenha errado. E mais que apesar de nunca ter errado tenha sido condenado e morto injustamente, entregando sua vida justa pelos injustos. Sobretudo ressuscitando dentre os mortos, como ninguém jamais conseguiu explicar, mas cumprindo suas exatas palavras enquanto ainda vivo. Só através de alguém como Jesus poderíamos ser aceitos, porque se o aceitamos como Senhor e Salvador de nossa vida, Deus nos olha, mas enxerga Jesus. Nos vê perfeitos, portanto, e é por isso que nos aceita.

Pra concluir, acho que isso é uma das coisas que os incrédulos (e alguns crédulos) acham mais absurdo, porque de alguma forma eles acham o ser humano bom, acham que o ser humano merece algum respeito da parte de Deus. Postei minha opinião em um video do youtube que falava sobre os massacres que Deus fez no Velho Testamento, e o autor achou tão absurda minha posição que me baniu de postar outros comentários ao video, veja só:

YURI:
isso é o mesmo que você dizer que o mister M matou uma mulher cortando ela ao meio, porque você viu na TV, mas achou tão absurdo que assim que ele a serrou você desligou a tv... incrível como a Bíblia é usada quase como um dicionário, abre-se aonde quer lê aquele pedacinho e fecha. Porque não lê a bíbilia como uma narrativa uma história completa, vai ver que toda a lei foi cumprida em Jesus por exemplo, sendo que nem precisava, afinal a humanidade toda, sem excessão merecia mesmo era morrer.

RESPOSTA:
Se vc esta falando sério e realmente acredita em tudo o que vc escreveu, então vc possui sérios problemas de baixa auto estima provavelmente causado pelas merdas que a religião enfia na cabeça das pessoas, te aconselho a procurar ajuda, pois uma pessoa com uma mente sadia sentiria vergonha de dizer que todo mundo merece morrer. Caso vc esteja de sacanagem, então volte para a sua toca TROLL do KCT.

É difícil de aceitar, mas a realidade é essa, todos mereciam mesmo morrer.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Lógica, evangelho e razão. Pt2

Hoje vou pegar no pé de outro tipo de pergunta, que na maioria das vezes é assim: "Se Deus existe mesmo, porque ele deixou isso ou aquilo acontecer?" Como a questão anterior essa também tem uma série de pormenores que precisam ser destrinchados:

1) A maioria das vezes que essa pergunta é feita ela tem a ver com algo que "Deus deixou acontecer" com você, nesses casos, temos que lembrar que Deus não é gênio da lâmpada, muito menos seu mordomo pessoal, ou seu escravo, ele não te deve nenhuma satisfação. Porque pra ele existir ele precisaria impedir ou fazer com que certas coisas acontecessem?

2) Geralmente a pergunta é acrescida da seguinte forma, Deus pode até existir, mas se é o caso então ele é mau, porque se não porque ele deixaria pessoas inocentes sofrerem (com o terremoto no japão por exemplo). Quanto a isso precisamos lembrar que na história do huniverso os seres humanos não são os protagonistas, são meros quadjuvantes, o personagem principal da história é Deus, as coisas giram em torno dele. Então que tal olharmos pras pessoas "inocentes" (japão, ou crianças na tragédia do Rio, etc) sob a ótica de Deus. A Bíblia diz que não há um justo sequer. O único homem justo foi Jesus Cristo, por quem nos justificamos. Então aos olhos de Deus, no que ele considera inocente, ninguém é. Logo todos deveríamos estar mortos, temos é que agradecer de não ser um caos todos os dias, porque pela lógica é isso que deveria ser. Não fosse a misericordiosa intervenção divina.

3) A grande maioria das pessoas falam sobre Deus ou o supõem hipoteticamente de forma muito limitada, como se o entendessem. Num dos debates do Dr. Lane Craig que citei no post anterior, o seu "adversário" de debate disse algo parecido com: "bem, não é isso que eu esperaria de Deus". Então quer dizer que se Deus não supre suas expectativas então ele não existe? Sinto muito informar mas Deus está longe de ser como as pessoas em geral o imaginam, muita gente inclusive nas igrejas jamais imaginariam que ele tomaria muitas das atitudes que ele tomou na Bíblia, se ler a Bíblia vai se surpreender com Deus e o quão longe ele está da nossa visão de Ética (que diga-se de passagem é extremamente parcial).

4) Ainda alguns justificam que situações de sofrimento só deveriam ser permitidas por Deus se forem para um bem maior, mas ainda assim Ele deveria nos explicar isso, ou ao menos nos confortar. Bem quanto a isso, devemos refletir um pouco em alguns pontos.
a) o que você chama de bem maior? A maioria das pessoas pensam em corrigir seus filhos com sofrimento, privando-os de coisas por exemplo, mas alegando que é para o bem deles, e então tudo bem, mas como você pode saber o que Deus considera realmente importante, você ter perdido o emprego pode ser para um bem maior, para você dar mais tempo pra sua esposa por exemplo, mas muitos consideram o dinheiro de longe muito mais importante do que relacionamentos familiares. Acredito que ficaríamos espantados em sabermos quantas coisas Deus consideram um bem maior a ponto de ser aceitável passarmos por situações de sofrimento, e quantas outras coisas nunca teremos da parte dEle, porque ele considera que não são coisas relevantes para nós.
b) quanto a Deus nos explicar, imagine que Deus tivesse a obrigação de explicar exatamente o porque de cada situação para cada pessoa na terra, primeiro que muitas vezes ficariamos injuriados com Deus por acharmos muitos de seus motivos tolices: "quer dizer que você me privou de trocar de carro pra eu repensar a forma como eu gasto meu dinheiro? Que absurdo", segundo porque não seriamos capazes de entender as tamanhas complexidades presentes na linha do tempo, imagine que Deus te diga que deixou você quebrar a perna para não ir em um show onde você conheceria uma garota com quem acabaria namorando por alguns meses e que 12 anos depois te encontraria num bar e te reconheceria fazendo você se juntar a ela na pior burrada que você poderia se meter na sua vida e... tá chega né, já deu pra entender. Então não saberiamos se fariamos essas coisas só porque ele nos avisou sobre o futuro ou se seriamos capazes de mudá-lo, por isso que Aslan bem disse: "Dizer o que teria acontecido? Não, não se faz isso com as pessoas"
c) quanto a Deus nos confortar, é bem pouco provável que você se sinta mais confortável com a perda de um parente próximo se alguém com quem você não tem o menor relacionamento ou pingo de contato chegue até você e comece a falar palavras de consolo. Deus até consola, mas àqueles que o conhecem, afinal de contrário não faria o menor sentido.

Em resumo, mais evangelho. Deus fez todas as coisas boas, o homem decidiu tocar a vida como bem entendesse, longe de Deus, toda atitude tem consequências, e o homem acaba tendo que enfrentá-las, aí o homem reclama... de Deus? Calma aí, o que Deus tem a ver com isso? Ele disse o que fazer nós é que não quisemos aceitar...